
Café EAD com Rodrigo Severo
Não me pergunte quem disse o quê... eu misturei o café com o leite... e não é que ficou no ponto!
O Rodrigo começou a conversa me contando que bateu a cabeça no azulejo da piscina no final do ano passado... Você já bateu muito a cabeça por causa da EAD? Rsrsrs! Não, eu sempre acreditei. O Rodrigo é o legítimo autodidata: tornou-se um designer instrucional lendo, conversando com pessoas que trabalhavam nesta área, navegando pela internet, acessando blogs sobre o assunto... e sua experiência como professor foi fundamental! Rodrigo viu a internet despontar e soube que a EAD iria se consolidar. Quando você começou a olhar a internet com um viés educacional, o que mais te chamou a atenção? Os jogos! Rodrigo ficou impressionado com as possibilidades de simulação, interação... Sabe que ouvindo você falar tão motivado, lembrei da primeira vez que vi um cartão virtual. Entrei em um
site do Garfield e vi aqueles cartões de aniversário maravilhosos... e de graça!!! Pensei: será que as pessoas ainda vão comprar cartões em livrarias depois de conhecer este tipo de recurso?

É, Marina, também tem gente que se pergunta se a EAD vai substituir o ensino presencial. Para mim, o ensino a distância é uma ferramenta complementar ao ensino presencial. Explica que desenvolveu uma pesquisa que demonstra que alunos da modalidade à distância querem mais proximidade e alunos do presencial querem fugir do quadro negro. Rodrigo, será que não seria o contrário: o presencial se consolidar como um complemento do à distância? Digo isto porque quando estou no papel de aluna, a coisa que mais me deixa louca é ver o professor falando tudo o que eu acabei de ler no livro. A aula presencial é ótima para discutir, interagir!!! Mas, Marina, o perfil do aluno presencial é diferente do à distância. O teu perfil é à distância... você realiza as atividades necessárias... lê antes de ir para a aula (nem tanto, Rodrigo – rsrsrs). Tem aluno que não faz nada se o professor não ficar no pé.

Mas, Rodrigo, eu lembro que quando era adolescente ficava pensando assim: por que temos tantas horas em sala-de-aula e não temos tempo para ler, pesquisar...??? É difícil para um aluno conseguir se dedicar à autoaprendizagem se o tempo dele é todo preenchido com atividades sistematizadas em sala-de-aula. Marina, este é um problema de estruturação do ensino - de repente temos que rever a forma de ensinar. A culpa não é do professor. Todo professor que tem uma iniciativa diferente recebe um "não". Por isto, se desestimula. Tá, mas se todo professor fizesse o diferente, o diferente seria o igual.... Qual é a maior dificuldade de um DI? Levantar as dificuldades reais do treinamento porque muitas vezes a pessoa que demanda o desenvolvimento não é quem precisa do treinamento. Quem sabe, Rodrigo, uma solução seria o contato do DI com pelo menos um aluno. Marina, isto seria ótimo, mas normalmente não temos esta possibilidade. Se você não fosse DI, seria...??? Trabalharia com RH ou marketing esportivo. Descobri nesta conversa que o Rodrigo é praticamente um Ronaldinho em seus tempos (de agora???) gloriosos de futebol.

Qual foi o pior curso que você construiu? O primeiro. O primeiro a gente nunca esquece! Rsrsrs! Faltou experiência, conhecimento... Quando o cliente vem com uma demanda bem definida, sem muita abertura para a sua opinião, você insiste na sua visão? Não, eu demonstro o que julgo ser o ideal, porém não insisto. Não dá uma dorzinha? Dá, mas... Uma vez, um cliente pediu um curso todo em vídeo apresentado por um colaborador da empresa deles. Eu expliquei que isto não seria o ideal, porque se o colaborador fosse desligado, poderíamos ter problemas... sem contar que o colaborador não tinha preparo para trabalhar com vídeo. Adivinha? Na metade do projeto, o colaborador foi desligado. Idaí?!?!?! Tivemos que refazer tudo. A EAD é antiga, mas é nova também. É difícil um cliente com
know-how. Os clientes conseguem argumentar para mudar algo que você propõe, ou fica mais no gosto, no subjetivo? Eu sempre tento entender as mudanças solicitadas pelo cliente, mas o gosto pessoal influencia bastante.

A escolha de um personagem para o
e-learning, por exemplo... não adianta tentar ir contra a escolha do cliente, se não a gente surta... e quando a gente tá desmotivado, rende bem menos. Mas será que estas escolhas, mesmo que inconscientemente, não estão mais relacionadas à cultura da empresa? Afinal, o cliente vive a cultura da empresa, né?! Eu tento acreditar nisto... O seu trabalho está mais sistematizado ou embasado na criatividade? Os clientes dão bastante abertura para a criatividade. Todos esperam soluções inovadoras. Eu tenho um roteiro sim e dentro desta estrutura tem o espaço da criatividade. Eu também!

O Rodrigo toma café tipo clássico: é autodidata, professor, empreendedor, acredita nos jogos como recursos de ensino-aprendizagem, já construiu um curso muito ruim (o primeiro), se preocupa com os clientes (mas não surta), reserva um espaço no seu roteiro de trabalho para a criatividade e já bateu a cabeça (mas não por causa da EAD, porque já era certo que a EAD daria certo!).
Local do café: GSI Online, Santa Maria – RS
Data: 09/04/09
Nota: Rodrigo Severo é Diretor de Projetos e Designer Instrucional da GSI Online
Quer conversar sobre EAD? Me chama para tomar um café! Marina